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Delcídio, que ficou 80 dias preso na Lava Jato, declara patrimônio de R$ 218 milhões para disputar Governo de MS

Ex-senador foi o primeiro integrante do Senado preso no exercício do mandato; onze anos depois, patrimônio informado à Justiça Eleitoral chama atenção e é mais de 13 vezes superior ao declarado por Eduardo Riedel

O ex-senador Delcídio do Amaral, candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul, voltou aos holofotes neste sábado (15) após declarar à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 218.379.431,07 para disputar as eleições de 2026.

O número chama atenção não apenas pelo tamanho da fortuna declarada. Delcídio carrega na trajetória política um dos episódios mais marcantes da Operação Lava Jato: em novembro de 2015, quando ainda era líder do governo Dilma Rousseff no Senado e filiado ao PT, ele foi preso pela Polícia Federal acusado de tentar atrapalhar as investigações.

Delcídio tornou-se, naquela ocasião, o primeiro senador da República preso no exercício do mandato. Ficou aproximadamente 80 dias detido e, meses depois, teve o mandato cassado pelo Senado por 74 votos.

Agora, mais de uma década depois daquele episódio, Delcídio tenta novamente chegar ao comando de Mato Grosso do Sul apresentando à Justiça Eleitoral o maior patrimônio entre os candidatos ao Governo do Estado.

R$ 217 milhões concentrados em um único bem

Dos mais de R$ 218 milhões declarados neste ano, praticamente toda a fortuna está concentrada em uma única rubrica.

Delcídio informou R$ 217 milhões em “outras aplicações e investimentos”, descritos no registro como investimentos em infraestrutura e gado na Fazenda Santa Rosa.

Os aproximadamente R$ 1,3 milhão restantes estão distribuídos entre imóveis e outras aplicações.

O valor chama ainda mais atenção quando comparado às declarações anteriores do próprio candidato.

Em 2024, quando disputou a Prefeitura de Corumbá, Delcídio declarou patrimônio total próximo de R$ 1,5 milhão. Naquele registro, o investimento relacionado à infraestrutura e ao gado de uma fazenda aparecia avaliado em aproximadamente R$ 217 mil.

Dois anos depois, item de descrição semelhante aparece declarado em R$ 217 milhões.

A diferença entre os valores transforma a evolução patrimonial em um dos pontos que naturalmente deverão receber atenção durante a campanha eleitoral.

Segundo reportagem publicada pelo jornal O sul-mato-grossense, o candidato foi procurado para esclarecer se houve algum erro no preenchimento da declaração ou se os R$ 217 milhões correspondem efetivamente ao valor atual dos investimentos. Até o fechamento da publicação, não havia resposta.

Patrimônio é mais de 13 vezes o de Riedel

A fortuna declarada por Delcídio também coloca o candidato muito acima dos principais adversários na disputa estadual.

O governador Eduardo Riedel (PP) informou patrimônio de R$ 16.147.849,34.

Já Fábio Trad (PT) declarou aproximadamente R$ 3,67 milhões.

Com R$ 218,3 milhões, Delcídio declarou patrimônio superior a 13 vezes o de Riedel.

Primeiro senador preso durante o mandato

O patrimônio milionário surge 11 anos após o episódio que mudou completamente a trajetória política de Delcídio do Amaral.

Na manhã de 25 de novembro de 2015, a Polícia Federal cumpriu ordem de prisão contra o então senador petista. A medida havia sido autorizada pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Procuradoria-Geral da República.

A acusação era grave: Delcídio teria atuado para impedir que o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró fechasse acordo de colaboração premiada na Lava Jato.

Uma gravação realizada por Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor, foi utilizada pelos investigadores como elemento central do caso.

Segundo a PGR, Delcídio participou de conversas em que foram discutidos pagamentos de R$ 50 mil mensais à família de Cerveró para que ele não citasse determinados nomes em sua colaboração.

As conversas também registraram discussões sobre uma eventual fuga de Cerveró do Brasil.

Em um dos diálogos divulgados na época, Delcídio chegou a discutir possíveis rotas de saída pelo Paraguai e posteriormente para a Europa.

A Segunda Turma do STF manteve por unanimidade a prisão.

Horas depois, o Senado também decidiu manter Delcídio preso, por 59 votos a 13, além de uma abstenção.

80 dias preso e mandato cassado

Delcídio permaneceu preso durante aproximadamente 80 dias.

Após deixar a prisão, retornou ao Senado, mas sua situação política já estava profundamente deteriorada.

Em maio de 2016, o plenário do Senado aprovou a cassação de seu mandato por 74 votos.

Delcídio também firmou acordo de colaboração premiada e prestou depoimentos envolvendo personagens de diferentes partidos e governos.

Sua delação teve 254 páginas e 21 termos, com referências a dezenas de políticos e autoridades.

Entre os personagens mencionados estavam integrantes do então governo Dilma Rousseff, além de nomes da oposição daquele período.

De volta à disputa pelo Governo

Onze anos após ser preso e dez anos depois de perder o mandato de senador, Delcídio tenta reconstruir sua trajetória eleitoral.

A eleição de 2026 representa sua terceira tentativa de chegar ao Governo de Mato Grosso do Sul.

Ele já disputou o cargo em 2006, quando foi derrotado por André Puccinelli, e novamente em 2014, quando perdeu no segundo turno para Reinaldo Azambuja.

Agora, Delcídio retorna à disputa estadual com uma declaração patrimonial que, por si só, já colocou seu nome novamente no centro do debate político.

De aproximadamente R$ 1,5 milhão declarados em 2024 para mais de R$ 218 milhões em 2026, a evolução patrimonial deverá ser um dos assuntos a acompanhar durante a campanha.

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