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Último em Corumbá em 2024, Delcídio “ruim de votos” pode perder até para o Índio do PCO, e pode ficar na “lanterna” em 2026

Ex-senador terminou a disputa municipal de 2024 com 10,08% dos votos e agora enfrenta uma campanha estadual com oito candidatos, enquanto o PRD convive com relatos de dificuldades de estrutura e recursos

A trajetória política de Delcídio do Amaral (PRD) chega às eleições de 2026 em um cenário bem diferente daquele em que o ex-senador figurava entre as principais lideranças de Mato Grosso do Sul e ocupava posições de destaque em Brasília.

Depois de comandar articulações nacionais, disputar duas vezes o Governo do Estado e exercer mandato no Senado, Delcídio tenta novamente chegar ao Parque dos Poderes. O desafio, porém, acontece apenas dois anos depois de um resultado duro em sua principal base eleitoral.

Em 2024, Delcídio disputou a Prefeitura de Corumbá e terminou em quarto e último lugar.

Com 100% das seções apuradas, recebeu 5.043 votos, equivalentes a 10,08% dos votos válidos. O vencedor, Dr. Gabriel, do PSB, alcançou 28.394 votos, ou 56,74%. Luiz Antonio Pardal terminou com 21,30%, enquanto André Campos obteve 11,88%.

O resultado representou mais um revés para um político que, anos antes, já havia chegado ao segundo turno de uma eleição para governador e exercido papel de protagonista na política nacional.

Debate coloca oito candidatos frente a frente

Agora, Delcídio tenta reconstruir espaço em uma eleição estadual ainda mais pulverizada.

No debate promovido pelo Midiamax na segunda-feira (21), os oito candidatos ao Governo de Mato Grosso do Sul ficaram frente a frente pela primeira vez nesta campanha.

O encontro mostrou uma disputa em que candidatos de partidos pequenos também buscaram aproveitar o espaço para ganhar visibilidade.

Daniel Lemes, do PCO, e Lucien Rezende, do PSOL, por exemplo, participaram de confrontos diretos e entraram em discussões que acabaram ganhando repercussão durante o debate.

Delcídio, por sua vez, apareceu menos nos principais embates destacados ao longo do encontro.

Isso chama atenção justamente pelo histórico do candidato.

Durante muitos anos, Delcídio esteve acostumado a ocupar o centro das disputas políticas de Mato Grosso do Sul. Em 2014, por exemplo, chegou ao segundo turno da eleição estadual contra Reinaldo Azambuja.

Doze anos depois, a situação é outra.

A eleição de 2026 reúne oito candidatos e obriga o ex-senador a disputar visibilidade não apenas com Eduardo Riedel e Fábio Trad, mas também com nomes de legendas menores que utilizam o tempo de debate para buscar espaço na campanha.

O peso de 2024

A derrota em Corumbá permanece como um dos principais termômetros recentes da força eleitoral de Delcídio.

Não se tratava de uma cidade qualquer para sua trajetória.

Corumbá é justamente uma das regiões historicamente mais associadas à carreira política do ex-senador. Mesmo assim, Delcídio não conseguiu ultrapassar nenhum dos três adversários naquela eleição.

Foram pouco mais de cinco mil votos.

A distância para o primeiro colocado foi superior a 23 mil votos.

Por isso, a eleição estadual deste ano assume importância especial para a continuidade do projeto político de Delcídio.

PRD enfrenta dificuldades

Outro problema relatado nos bastidores envolve a própria estrutura do PRD em Mato Grosso do Sul.

Segundo informações recebidas pelo Grupo Portilho de Comunicação junto a pessoas ligadas à disputa eleitoral, candidatos da legenda enfrentam dificuldades relacionadas à chegada de recursos para tocar suas campanhas.

Há relatos de candidatos que ingressaram no projeto partidário com a expectativa de receber estrutura financeira para desenvolver campanha, ampliar presença regional e ajudar no crescimento do PRD no Estado, mas que ainda enfrentariam limitações nesta reta final.

Uma carreira marcada por altos e baixos

A dimensão do desafio fica ainda mais evidente quando se observa o passado político de Delcídio.

O ex-senador foi uma das figuras mais influentes da política sul-mato-grossense durante os anos 2000 e primeira metade da década seguinte.

Foi senador da República, líder do governo Dilma Rousseff e candidato competitivo ao Governo de Mato Grosso do Sul.

Sua carreira sofreu uma ruptura em 2015.

Delcídio tornou-se o primeiro senador preso no exercício do mandato, após decisão do Supremo Tribunal Federal em investigação relacionada à Operação Lava Jato. A acusação envolvia tentativa de interferência na colaboração do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.

Posteriormente, Delcídio firmou acordo de colaboração premiada, rompeu com o PT e teve o mandato cassado pelo Senado em 2016.

Desde então, passou por sucessivas tentativas de reconstrução eleitoral.

Em 2018, voltou às urnas em uma candidatura ao Senado. Em 2022, disputou uma vaga de deputado federal. Dois anos depois, candidatou-se à Prefeitura de Corumbá e terminou na última colocação.

Agora, tenta novamente o Governo do Estado.

2026 como novo teste político

A candidatura pelo PRD coloca Delcídio diante de uma questão central: quanto ainda resta da força eleitoral construída em seus anos de maior protagonismo?

O ex-senador continua sendo um dos nomes mais conhecidos da política de Mato Grosso do Sul. Ao mesmo tempo, carrega uma sequência recente de eleições sem vitória e chega a 2026 depois de terminar em último lugar em Corumbá.

O debate do Midiamax mostrou também que a disputa por atenção será intensa até mesmo entre candidatos que inicialmente ocupam espaços políticos menores.

Para Delcídio, portanto, os últimos dias da campanha terão um peso que vai além do resultado de uma única eleição.

As urnas de outubro deverão oferecer um novo retrato do tamanho eleitoral de um político que já esteve no centro da política nacional e que, hoje, tenta reconstruir espaço em Mato Grosso do Sul

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