Deputado apoiado por vereador Maicon Nogueira é alvo de operação da Polícia Federal após sacar R$ 100 mil
Agentes fizeram buscas no comitê e no apartamento de Márcio Fernandes e apreenderam cerca de R$ 260 mil. O vereador apoia sua reeleição.
O vereador Maicon Nogueira (Progressistas) entrou na campanha de reeleição do deputado estadual Márcio Fernandes (PL) como apoiador. Nesta sexta-feira, 25 de setembro, o deputado foi abordado pela Polícia Federal após sacar R$ 100 mil em espécie de sua conta pessoal, segundo relato divulgado por sua assessoria.
Maicon não disputa a eleição de 2026. Seu papel nesta campanha é de apoio político a Márcio Fernandes. O vereador declarou esse apoio publicamente durante a convenção do PL em agosto, quando chamou o deputado de “meu candidato a deputado estadual”.
A abordagem ocorreu durante a Operação Jogo Limpo. A investigação apura possíveis crimes de corrupção eleitoral e falsidade ideológica eleitoral, relacionados a movimentações financeiras que poderiam ter ligação com financiamento irregular de campanha e aliciamento de eleitores. Trata-se de suspeitas sob investigação, sem conclusão sobre responsabilidade criminal do deputado.
Buscas no apartamento e no comitê
Após a abordagem, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão no apartamento de Márcio Fernandes, no Bairro Royal Park, e no comitê de campanha, na região da Chácara Cachoeira, em Campo Grande. No comitê, policiais foram vistos deixando o local com malotes.
Durante a ação, foram apreendidos cerca de R$ 260 mil em dinheiro vivo, conforme o balanço preliminar divulgado sobre a operação. A quantia ainda estava sendo contabilizada. A Polícia Federal vai apurar a origem dos valores, a quem pertenciam e se teriam alguma relação com os fatos investigados. Também foram recolhidos aparelhos e materiais ligados à campanha.
O que Márcio Fernandes diz sobre o saque
Em nota divulgada nesta sexta-feira, Márcio Fernandes afirmou que sacou R$ 100 mil de sua conta pessoal em uma agência do Banco do Brasil, por volta das 11h. Segundo ele, o saque havia sido programado junto ao banco e o dinheiro seria usado para despesas de suas propriedades rurais.
O deputado relata que foi abordado ao deixar a agência e acompanhou os agentes durante as diligências em sua residência e no comitê. Sua assessoria informou que a PF recolheu o celular do parlamentar e um pendrive com arquivos da campanha de 2020 na residência. No comitê, segundo a nota, foram levados dois HDs externos, dois notebooks e material gráfico.
A explicação apresentada pelo deputado se refere aos R$ 100 mil que ele afirma ter sacado. Ela ainda não esclarece a origem de toda a quantia, estimada em cerca de R$ 260 mil, apreendida durante a operação. Márcio Fernandes sustenta que nada de irregular foi encontrado nos locais e afirma estar à disposição das autoridades.
O deputado não foi preso. A investigação continua, e a Polícia Federal deverá analisar o dinheiro e os materiais apreendidos antes de concluir se há relação com possíveis crimes eleitorais.
