Patrolão: Justiça vai ouvir André Patrola amigo do Pré-candidato a Deputado Federal Marquinhos Trad, sobre esquema que desviou R$ 7,3 milhões do tapa-buraco
São rés por corrupção as empreiteiras André L. dos Santos Ltda. (CNPJ 08.594.032/0001-74), de André Luiz dos Santos, o Patrola; e Engenex Construções e Serviços Ltda. (CNPJ 14.157.791/0001-72). O caso trata de desvios de R$ 7,3 milhões em contrato de manutenção de vias — como tapa-buraco e recapeamento — e locação de máquinas, em 2018.
O juiz Eduardo Lacerda Trevisan definiu os pontos principais a serem explicados no processo. Assim, o foco será apurar se houve fraude, corrupção, superfaturamento ou falha na execução das obras. Além disso, o magistrado quer identificar quem se beneficiou financeiramente do suposto esquema.
Para isso, haverá audiência para ouvir os representantes legais das empreiteiras: André Luiz dos Santos, o Patrola, e Edcarlos Jesus Silva, da Engenex. Outras testemunhas apresentadas pelas partes também devem ser ouvidas.
Também haverá perícia de engenharia solicitada por Patrola, que tentará alegar dificuldades de se comprovar falha na execução das obras após tanto tempo.
Edcarlos alega no processo que adquiriu a Engenex em 2021, após as citadas licitações.
Em 2024, o MP já havia denunciado Patrola e o ex-secretário de obras Rudi Fiorese, além de empreiteiros e servidores por corrupção. Agora, essa nova denúncia busca a responsabilização jurídica das empresas, baseada na Lei Anticorrupção.
A reportagem acionou as defesas da Engenex e de Patrola para se manifestarem, mas não obteve retorno até esta publicação.
Pagamento de propinas e fraudes em contratos
Conforme denúncia assinada pelos promotores Humberto Lapa Ferri e Adriano Lobo Viana de Resende, as duas empreiteiras atuaram com pagamento de propina para fraudar licitações e desviar recursos na casa dos R$ 7,3 milhões de contrato para manutenção de ruas sem asfalto e locação de máquinas entre os anos de 2017 e 2022.
As investigações apontaram que a empreiteira de Patrola recebeu R$ 4.150.988,28 para o contrato nº 217/2018, que envolve a região do Prosa, com irregularidades na execução do serviço, corrupção e superfaturamento.
Já a Engenex venceu dois outros lotes da licitação, para a região do Imbirussu e da Lagoa. Para o MP, ela agiu em conluio com Patrola, uma vez que retirou sua proposta do lote do Prosa, favorecendo André L. dos Santos.
Há indícios de que a Engenex, na verdade, seria ‘laranja’ de Patrola, como apontam os promotores: “Ocorreu a utilização conjunta de maquinário e pessoal na execução dos serviços contratados, pois as empresas, embora formalmente distintas, atuavam como uma única entidade a fim de burlar as regras de contratação pública”.
Assim como em denúncias apontadas contra a empreiteira de Patrola na execução de serviços em vias no Pantanal, no contrato em Campo Grande também houve superfaturamento dos serviços através de medições falsas e exagero de materiais e serviços descritos na planilha de execução.
“Essas planilhas foram apresentadas como se os serviços tivessem sido realizados integralmente, quando, na verdade, apenas uma pequena fração do que havia sido contratado foi efetivamente executada”, pontua o MP.
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