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Fábio Trad o “infiltrado” que usa o PT como “barriga de aluguel”

Com a aproximação das eleições de 2026, quando Mato Grosso do Sul escolherá seu próximo governador, um fato chama a atenção: o PT decidiu apostar na candidatura do advogado e ex-deputado federal Fábio Trad.

Conhecido como Fabinho, o caçula dos homens da família Trad herdou a reconhecida capacidade de oratória do pai, Nelson Trad, um dos personagens mais emblemáticos da política sul-mato-grossense sempre ligado à direita.

Essa seria, naturalmente, uma das principais influências políticas de Fábio Trad. E assim foi até agosto de 2025, quando o ex-deputado decidiu ingressar no PT e buscar espaço dentro do campo político liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A chegada provocou resistência em parte da militância petista, que passou a enxergá-lo como um estranho no ninho. Não era, porém, a primeira vez que o partido precisava assimilar um nome vindo de fora de sua formação histórica.

Herança do pai

Advogado e ex-deputado federal, Nelson Trad construiu uma longa trajetória pública, iniciada antes da ditadura militar e mantida durante e depois do regime. Sua atuação ocorreu predominantemente em partidos de centro e de direita, distante, portanto, da tradição política e ideológica do PT.

Em 2010, Nelson Trad também ganhou repercussão nacional após se envolver em uma confusão com a equipe do programa CQC, dentro do Congresso Nacional. Durante o episódio, ele tentou retirar o microfone da repórter Mônica Iozzi e acabou atingindo o rosto dela. Um produtor da equipe também afirmou ter ficado ferido.

Trajetória de Fábio Trad

Fábio Trad, por sua vez, construiu sua carreira partidária principalmente no MDB e no PSD. Em diferentes momentos, adotou posições críticas aos governos petistas e permaneceu distante da esquerda partidária.

Ao ingressar no PT, afirmou que a mudança representava um “reencontro” com sua identidade política. A justificativa, no entanto, não encerrou os questionamentos.

Adversários destacam que sua trajetória foi predominantemente construída fora da esquerda e apontam uma mudança de posicionamento motivada pela disputa pelo Governo de Mato Grosso do Sul.

Seria o PT um partido em permanente metamorfose?

Para parte do eleitorado, a mudança de Fábio Trad pode ser interpretada como uma adequação ao caminho mais conveniente para ocupar e preservar espaços políticos. Afinal, o ex-deputado carregou durante grande parte da vida pública ideias, alianças e posições distantes daquelas defendidas pela militância petista.

Nada que um fórceps eleitoral não resolva.

Mesmo antes de ingressar no PT, mas já próximo do governo federal, Fábio Trad ocupou o cargo de gerente de Controle e Integridade — também referido como gerente de Auditoria e Controle — na Embratur, entre fevereiro de 2023 e março de 2026. A remuneração mensal informada era de aproximadamente R$ 25,7 mil.

Agora, Fábio aparece no portfólio eleitoral do PT como a alternativa disponível para a disputa estadual. É, como se diz popularmente, “o que temos”. E com isso o partido vai à luta.

Na campanha, deverá contar com o apoio político e eleitoral de Lula, além de vestir definitivamente a camisa de número 13.

Fábio Trad construiu sua trajetória em legendas de centro e adotou posições frequentemente distantes do petismo antes de ingressar no partido para disputar o governo. Para os críticos, esse movimento revela uma legenda que, em vez de investir na própria militância, transforma-se em uma espécie de “barriga de aluguel” para candidaturas de ocasião.

Nessa leitura, o pragmatismo se sobrepõe à coerência partidária e alimenta a percepção de oportunismo, tanto por parte dos candidatos quanto da própria legenda.

O PT e seus novos filiados, por outro lado, argumentam que alianças e incorporações de lideranças fazem parte da dinâmica democrática e ampliam a capacidade de diálogo com diferentes setores da sociedade.

Será?

A sorte está lançada. Na corrida eleitoral, apresentar currículo, propostas concretas e projetos viáveis para Mato Grosso do Sul fará a diferença.

fonte: blog do nélio

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