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Geraldo Resende usa mandato para prejudicar Bonito e beneficiar Minas Gerais

Enquanto Bonito(MS), o coração do ecoturismo nacional e joia de Mato Grosso do Sul, trava uma batalha jurídica e política para manter sua Taxa de Conservação Ambiental (TCA), o deputado federal Geraldo Resende (UNIÃO) parece ter redirecionado seu olhar e, principalmente, sua caneta para um destino bem distante. Uma análise do fluxo de recursos federais e da atuação do parlamentar revela uma contradição geográfica e política que levanta sérios questionamentos sobre as prioridades do representante sul-mato-grossense.

Em maio de 2026, enquanto a cidade de Bonito(MS), conhecida mundialmente por seus rios de águas cristalinas e compromisso com a sustentabilidade, enfrenta uma queda de quase 31% no movimento turístico , o deputado Geraldo Resende sinalizou — ainda que de forma indireta — seu carinho por outra localidade. Informações obtidas pela reportagem indicam o envio de R$ 300 mil para Funilândia (MG), um município de pouco mais de 5 mil habitantes, situado a 80 km de Belo Horizonte. Um verdadeiro colosso financeiro para os padrões da cidade mineira, que contrasta com o silêncio ensurdecedor do gabinete do deputado em relação às necessidades prementes de Bonito(MS).

Segundo fontes apuradas pela equipe de reportagem, enquanto os recursos fluem para Minas Gerais, o que sobra para Mato Grosso do Sul? A resposta parece ser apenas a fiscalização rigorosa e a judicialização das políticas públicas locais. Geraldo Resende foi o principal responsável por levar ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS) uma denúncia contra a Taxa de Conservação Ambiental (TCA) de Bonito(MS), instituída por lei municipal . O valor da taxa é de apenas R$ 15 por dia para turistas que visitam os atrativos, uma quantia módica diante da pressão ambiental sofrida por um dos ecossistemas mais frágeis e valiosos do mundo.

O argumento do deputado para a denúncia é focado na transparência, questionando a atuação da empresa Deltapag na arrecadação e a ausência de um contrato claro no Portal da Transparência . Embora a alegação de falta de transparência seja sempre bem-vinda em um Estado Democrático de Direito, a motivação por trás do ataque cerrado a uma taxa que financia a preservação de Bonito(MS) soa, no mínimo, suspeita, especialmente quando se observa o cenário político local.

A Briga Pessoal e o “Defunto Político”

O embate entre o deputado e o prefeito de Bonito(MS), Josmail Rodrigues, é público e notório. Em resposta às críticas de Geraldo, o prefeito não poupou palavras, chamando o parlamentar de “defunto político” e “vergonha para Mato Grosso do Sul”, atribuindo a movimentação a uma “rixa política antiga” . A TCA, aprovada pela Câmara Municipal e amparada por lei, virou o palco de um confronto pessoal.

A prefeitura defende a legalidade da cobrança, argumentando que os recursos são essenciais para a gestão de resíduos, preservação de nascentes, monitoramento de rios e até mesmo para garantir um seguro obrigatório aos turistas durante sua estadia .

Reflexão: O Paradoxo de Geraldo Resende

A contradição na atuação de Geraldo Resende é um retrato do que há de mais cínico na política brasileira. O deputado não hesita em usar a máquina e o prestígio do cargo para destruir uma política de preservação ambiental defendida pela cidade, ao mesmo tempo em que se recusa a direcionar recursos federais para ajudar Bonito(MS).

A lógica parece perversa e clara: para Geraldo Resende, é mais interessante ver Bonito(MS) sangrar numa disputa judicial do que prosperar sob a gestão de seu adversário político. É mais fácil criticar uma cobrança de uma taxa de R$ 15 que vai beneficiar e ajudar preservar o ecossistema da cidade do que apresentar emendas parlamentares que ajudem a cidade e o povo de Bonito(MS) a se estruturar e superar a crise.

A pergunta que fica no ar, e que o eleitor sul-mato-grossense precisa fazer, é: quem Geraldo Resende realmente representa, se sua verba não chega em casa e sua atuação parece ter como único objetivo atrapalhar quem, de fato, tenta proteger o paraíso ecológico de Mato Grosso do Sul?

O parlamentar também registra histórico de alocações orçamentárias voltadas para ações de infraestrutura urbana e fomento agropecuário na região de Funilândia(MG) ao longo de seus mandatos no Congresso Nacional.

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