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Michelle deixa o comando do PL Mulher em MS com Ana Portela, primeira LGBT a assumir o cargo no estado

A mudança no comando do núcleo feminino do Partido Liberal em Mato Grosso do Sul provocou reações internas e abriu um novo capítulo na organização da legenda no estado. A vereadora de Campo Grande, Ana Portela (PL), assumiu a presidência estadual do PL Mulher após a saída de Naiane Bitencourt, ex-esposa do deputado federal Marcos Pollon (PL), tornando-se a primeira mulher LGBT a comandar o segmento feminino da sigla em Mato Grosso do Sul.

A mudança ocorre em um momento de reestruturação nacional do PL Mulher. Na última terça-feira (30), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciou que deixará a presidência nacional do núcleo feminino do partido. Antes de deixar a função, Michelle confirmou a manutenção da estrutura estadual em Mato Grosso do Sul sob o comando de Ana Portela.

Além de assumir a presidência do PL Mulher no estado, Ana Portela também se prepara para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul nas eleições deste ano. A estratégia política prevê uma dobradinha com seu pai, o Tenente Portela, que é pré-candidato a deputado federal pelo Partido Liberal.

A escolha, entretanto, não foi recebida de forma unânime dentro da legenda. A reportagem ouviu mulheres filiadas ao PL que relataram insatisfação com a condução do núcleo feminino em Mato Grosso do Sul. As entrevistadas afirmaram, sob condição de anonimato por receio de represálias internas, que diversas lideranças conservadoras nunca foram procuradas para participar da estrutura estadual do partido.

Segundo uma das filiadas ouvidas, mulheres com atuação consolidada em setores tradicionalmente alinhados ao eleitorado do PL, como o agronegócio e a segurança pública, acabaram ficando à margem da organização partidária.

“A indicação de alguém vinculada à agenda LGBT mais afasta as mulheres conservadoras e do agronegócio do que inclui mulheres mais progressistas, uma vez que esse público sempre se identificará mais com a esquerda. É um tiro no pé”, afirmou uma das integrantes da legenda.

Outra filiada também criticou a falta de diálogo com segmentos considerados estratégicos para o partido.

“O PL tem uma identificação muito forte com setores femininos da segurança pública. É lamentável nos deixarem de fora”, declarou.

Até o momento, não houve manifestação pública da direção estadual do Partido Liberal sobre as críticas apresentadas pelas filiadas ouvidas pela reportagem. Também não foram divulgadas informações sobre eventuais mudanças na composição do PL Mulher em Mato Grosso do Sul ou sobre a estratégia do núcleo feminino para o processo eleitoral.

A mudança no comando do PL Mulher ocorre em um momento em que o eleitorado feminino é considerado uma das principais prioridades das legendas para as eleições, tornando a organização dos núcleos femininos uma peça importante na estratégia de mobilização partidária.

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