Agora: CGU mira Fiems e investiga denúncias de esquema milionário sob gestão de Sérgio Longen
CGU (Controladoria-Geral da União) confirmou que incluu em suas ações de auditoria a série de denúncias publicadas pelo Jornal Midiamax sobre suspeitas de fraudes em licitações da Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul). As reportagens apontam para um suposto esquema envolvendo o grupo ligado ao presidente Sérgio Longen, que comanda a entidade desde 2007 e também integra a diretoria da CNI (Confederação Nacional da Indústria)
Conforme denúncias de ex-funcionários e fornecedores, existe uma rede de CNPJs controlados pela diretoria da entidade dos industriários para desviar milhões em contratos com o Sistema S, que recebe recursos parafiscais diretamente da Receita Federal. Somente neste ano, serão cerca de R$ 60 milhões a entidades como Sesi-MS e Senai-MS.
Segundo os relatos, o suposto esquema foi arquitetado para ganhar contratos de prestação de serviços difíceis de serem conferidos depois, ampliando a margem para superfaturamentos e desvios.
Em nota oficial, a CGU destacou que notícias veiculadas pela imprensa “constituem fonte legítima de informação para a proposição de trabalhos de iniciativa própria da unidade de controle interno” e afirmou que irá considerar “o conjunto das matérias publicadas pelo Jornal Midiamax sobre a entidade — incluindo aquelas referentes ao Pregão Presencial nº 003/2020 do SENAI-MS — como subsídio para o planejamento de suas ações de controle para o exercício 2027″.
Ao justificar sua competência para analisar o caso, o órgão de controle lembrou a natureza pública das verbas administradas pelas entidades. “Os serviços sociais autônomos que compõem o Sistema S, por gerirem recursos de natureza parafiscal, sujeitam-se à atuação dos órgãos de controle, entre os quais a CGU, no que tange ao controle finalístico dos recursos repassados”, explicou a Controladoria.
Por fim, o órgão de controle frisou: “A inclusão e a eventual execução de trabalhos decorrentes dessas informações serão avaliadas segundo critérios técnicos de priorização (gravidade, urgência, tendência, materialidade e risco), em cotejo com as demais demandas da nossa unidade Regional no Mato Grosso do Sul, a capacidade operacional disponível e as iniciativas estratégicas definidas nacionalmente pela Secretaria Federal de Controle Interno (SFC)”.
Em 2024, auditoria da CGU expôs rombo de R$ 24,7 milhões nas contas do Sesi-MS e alertou para diminuição de vagas gratuitas em cursos para a população.
Licitações sob suspeita: atestado falso e relatório frágil
Uma das denúncias publicadas pelo Jornal Midiamax revela o depoimento de um comerciante local que afirma ter sido procurado por um dos sócios da Acto Soluções em Tecnologia (CNPJ 31.356.145/0001-53). Sob anonimato, ele contou que Felipe Moisés Miranda de Britto pediu que ele assinasse um documento falso para atestar a prestação de serviços nunca executados.
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