DestaquesPolítica

“O Padrinho”: TJ/MS mantém ação contra Nelsinho Trad pelo desvio de R$ 9,3 milhões no tapa-buracos

O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) responde a acusações de improbidade administrativa e fraudes em contratos públicos referentes ao período em que foi prefeito de Campo Grande (entre 2004 e 2012)

As principais acusações envolvem: Esquema de “tapa-buracos”: Condenado em 1ª instância pela Justiça em 2025 devido a irregularidades e desvios milionários em contratos de manutenção e tapa-buracos firmados pelo município entre 2010 e 2015. O Tribunal de Justiça manteve o andamento de ações judiciais que apuram desvios nos mesmos contratos.

Propaganda pessoal em obras: Condenado em 2023 por improbidade administrativa, sob a acusação do Ministério Público Federal de usar totens em obras municipais para promover sua imagem pessoal durante sua gestão.

Agora, desesperado, o último Trad ainda ocupando cargo de relevância nacional começa a sentir o cheiro de fim de linha. Ele vê o próprio futuro se espelhando no fracasso retumbante do irmão Marquinhos Trad nas eleições para governador em 2022. Marquinhos, ex-prefeito de Campo Grande, entrou cheio de pedigree familiar e saiu com míseros 8,68% dos votos — um humilhante quarto ou quinto lugar, esmagado pelos eleitores sul-mato-grossenses.

Senador Nelsinho sabe que a mesma rejeição familiar pode bater à sua porta com ainda mais força. O sobrenome Trad, que um dia foi sinônimo de poder local, hoje carrega o peso da fadiga e da desconfiança. O “último Trad relevante” assiste ao relógio correr e percebe que a máquina política que sustentou a família por anos está enferrujando.

A 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul decidiu, por 3 votos a 2, manter o senador Nelsinho Trad como réu em uma ação de improbidade administrativa relacionada à chamada operação tapa-buracos realizada quando ele era prefeito de Campo Grande.

O processo apura um suposto desvio de R$ 9,3 milhões em contratos firmados com a empresa Asfaltec. Segundo o Ministério Público Estadual, houve direcionamento de licitações, superfaturamento, pagamentos por serviços não executados e falhas na fiscalização dos contratos. Além disso, o MPE pede uma condenação que pode chegar a R$ 183 milhões.

Durante o julgamento, dois desembargadores entenderam que não haveria provas suficientes de dolo (intenção de cometer irregularidade) e votaram pelo encerramento da ação contra o senador. Porém, a desembargadora Eliane Vicente abriu divergência, defendendo que existem indícios suficientes para justificar a continuidade do processo e a produção de provas. Ela foi acompanhada por outros dois magistrados, formando a maioria.

Com a decisão, a ação segue para sua fase final. O processo já está em alegações finais, etapa anterior à sentença do juiz de primeira instância. Caso seja condenado, Nelsinho Trad poderá sofrer sanções como ressarcimento ao erário, multa e suspensão dos direitos políticos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *